
Taxação do Trump: qual é o objetivo do presidente dos EUA?
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ToggleDesde que assumiu a presidência dos Estados Unidos no início de 2025, o governo de Donald Trump está mais recheado de polêmicas do que nunca. Um grande destaque, que está dando o que falar, são as constantes ameaças tarifárias que o presidente tem feito a diversos países. Mas afinal, o que o governante quer com essa possível guerra comercial? A taxação do Trump realmente é uma solução eficaz? Saiba mais sobre essa estratégia ousada neste artigo.
Como funciona a estratégia de taxação do Trump?
Antes de tudo, a estratégia do presidente não é inédita: Trump já declarou guerras comerciais em seu primeiro mandato. Durante suas frequentes tensões com a China, por exemplo, o norte-americano anunciou, em 2018, um conjunto de tarifas sobre produtos da nação asiática.
Esta é uma tática que o governante costuma adotar para tentar vantagens em negociações bilaterais. É uma prática um tanto quanto ousada, visto que pode gerar consequências econômicas tanto para empresas quanto para o próprio EUA, ressoando em outros países.
Promessas de campanha
A última campanha eleitoral, que ocorreu em 2024, foi acirrada. Enquanto Trump disputava com Biden quem seria mais rígido com a China – que com seu crescimento constante, ameaça a hegemonia dos Estados Unidos – o empresário eleito planejou taxações pesadas.
O governo Biden-Harris também fazia o uso de tarifas para atingir a China, no entanto, era mais contido quanto a cargas tarifárias mais amplas mundialmente. A justificativa dos democratas era de que esse tipo de medida pode aumentar significativamente os custos de uma família típica norte-americana.
Taxação sobre a China
Como já mencionado, as tarifas de Trump não são novidade: ele é adepto desde seu primeiro mandato e a China é o principal alvo. Em 2018, o presidente impôs suas primeiras taxas sobre o país. Desde então, várias negociações de acordos, tréguas e, novamente, ameaças, surgiram.
Posteriormente, Joe Biden preservou boa parte das tarifas em seu mandato. Mas Trump, em sua nova campanha, buscou intensificar ainda mais as medidas: prometeu, em sua campanha de 2024, implementar taxas de pelo menos 60% sobre todas as importações chinesas, além da possibilidade de impor taxas de 20% sobre as maiores importações estadunidenses. Após vencer, em 2025, o republicano seguiu com suas diversas promessas sobre tributação.
Tarifas sobre outros países
Apesar da China ser o principal alvo, Trump também vem direcionando suas inúmeras taxas para diversos outros países, argumentando que exercer essa carga tarifária sobre outras nações vai contribuir para enriquecer os cidadãos dos Estados Unidos.
Desde que assumiu, declara publicamente sobre seus planos de aplicar taxas de 25% no Canadá e México. As cobranças chegaram a entrar em vigor no começo de março de 2025, fazendo as duas nações prometerem medidas retaliatórias. O primeiro-ministro canadense anunciou taxas de mais de US$ 100 bilhões em produtos dos Estados Unidos ao longo de 21 dias.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, por sua vez, afirmou que seu país responderia com suas próprias tarifas retaliatórias, mas sem especificar os produtos alvos de imediato.
Logo em seguida, o presidente estadunidense Trump concede uma isenção de um mês em suas novas taxas que afetam materiais do México e Canadá para montadoras dos EUA .
O político também causou barulho ao ameaçar tarifar em 25% todas as importações da Colômbia, entre outras medidas de retaliação, no final de janeiro de 2025, após o presidente Gustavo Petro ter negado permissão a duas aeronaves militares dos EUA que transportavam migrantes.
Petro, em resposta, também declarou um aumento de 25% nas tarifas de produtos dos EUA. Posteriormente, o líder voltou atrás de sua decisão e os países apaziguaram a disputa comercial.
Outra promessa que chamou a atenção da mídia foram as taxações sobre importações de aço e alumínio, que iniciaram em 12 de março e atraíram retaliações do Canadá e Europa. Essas tarifas, que somam 25% sobre todas as importações dos metais e estendem os impostos a diversos produtos derivados, também afetam o Brasil, que é o segundo país que mais exporta aço para os Estados Unidos.
Taxação do Trump: expectativas para 2025
Em entrevista concedida à Fox News em março, Donald Trump alegou que “detesta” realizar previsões sobre o futuro da economia. Contudo, não descartou a possibilidade de uma recessão e eventual aumento de preços. Ele defende que esse período é transitório em suas políticas tarifárias e, posteriormente, o processo beneficiaria a economia norte-americana.
Após a aplicação de taxas sobre exportações de aço e alumínio, diferentes nações se posicionaram: a província de Ontário, no Canadá, maior exportador dessas matérias primas para os EUA, anunciou que implementaria uma cobrança do mesmo percentual sobre a eletricidade exportada para os EUA.
Em seguida, Trump ameaçou o país com a duplicação da taxa para 50% sobre suas exportações. Então, o Canadá suspendeu a medida, e Trump recuou sobre a cobrança extra.
No Brasil, o ministro da Fazenda Fernando Haddad comunicou que o governo está estudando medidas para proteger o setor siderúrgico e que “a mesa de negociação com o governo americano está aberta”.
De fato, as medidas, inicialmente, aparentam ser prejudiciais para a indústria brasileira. No entanto, o portal de notícias oficial do Senado defende que elas “podem se tornar uma oportunidade de crescimento, a depender da postura que o Brasil adotar”.
Fernando Lagares, do Núcleo de Economia da Consultoria Legislativa apontou o momento como “oportunidade para o agronegócio brasileiro expandir ainda mais seus horizontes”.
Segundo ele: “Se Trump continuar com essa política comercial agressiva contra a China e contra os seus principais aliados, vai ter uma retaliação. Se ocorrer demanda internacional por produtos brasileiros, nós tendemos a nos beneficiar.”
Por enquanto, o cenário incerto reflete globalmente e traz uma forte aversão a riscos entre investidores. Como consequência, há a tendência do dólar se fortalecer ante outras moedas.