
IFRS: contadores que dominam as normas internacionais de contabilidade garantem vantagem competitiva para empresas brasileiras
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ToggleAs normas IFRS elevaram a contabilidade no Brasil. Para os contadores, dominar essas normas e adotar novas tecnologias pode até ser exigente, mas no final, os resultados são recompensadores.
O IFRS (sigla em inglês para International Financial Reporting Standards, ou Normas Internacionais de Relatório Financeiro) é um conjunto de normas contábeis emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). O IASB é o órgão responsável pela elaboração e publicação dos IFRS. Mas você sabe o quanto o papel do contador nesse contexto contribui em nível internacional e traz vantagem competitiva para as companhias do Brasil? Confira neste artigo:
IFRS: o que é, qual seu objetivo e quando chegou ao Brasil?
Como foi mencionado anteriormente, o conselho internacional de normas contábeis (IASB) estabelece as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (International Financial Reporting Standards – IFRS). Essas normas têm como objetivo criar padrões globais para os procedimentos contábeis, assegurando consistência e comparabilidade das demonstrações financeiras em diferentes países.
Em outras palavras, o IFRS, através deste documento, padroniza a forma como a contabilidade é feita nas companhias de todo o mundo, independente do país de origem da empresa.
No IFRS, existem critérios e princípios para reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação de informações financeiras, definindo como os procedimentos contábeis devem ser executados dentro de uma companhia, incluindo a elaboração de demonstrações contábeis.
Em 1973, foi criado o International Accounting Standards Committee (IASC), que reuniu profissionais da contabilidade de 10 países com o objetivo de criar e adotar um conjunto de normas para a contabilidade internacional. Dois pilares foram fundamentais nesse processo: uniformidade e consistência na prática profissional.
As primeiras normas elaboradas pelo IASC receberam o nome de International Accounting Standards (IAS), ou Normas Internacionais de Contabilidade. Em 2001, o IASC foi substituído pelo International Accounting Standards Board (IASB), órgão responsável por emitir as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (International Financial Reporting Standards – IFRS).
O primeiro IFRS, a norma IFRS 1 (First-time Adoption of International Financial Reporting Standards), foi publicado em 2003. Em 2004, outras normas IFRS foram emitidas. No Brasil, o processo de convergência iniciou formalmente com a publicação da Lei nº 11.638/07, em 2007. A adoção parcial começou em 2008, voltada inicialmente para companhias listadas, e tornou-se obrigatória para todas as companhias abertas e de grande porte a partir de 2010.
No Brasil, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) participa do processo de convergência às normas internacionais, atuando em conjunto com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que mantém interlocução com o IASB. Além disso, a Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76) estabelece as bases para a contabilidade societária no país, incorporando princípios alinhados ao IFRS após as alterações promovidas pela Lei nº 11.638/07.
.De acordo com o conselheiro do CFC, Wellington Cruz, o processo de internacionalização da contabilidade no Brasil teve início mais intenso no setor privado, embora também tenha havido avanços no setor público em paralelo, especialmente com a convergência às normas internacionais do setor público (IPSAS).
No panorama geral, Cruz destaca que as normas existem e são adotadas em mais de 138 países no mundo, representando cerca de 80% do PIB mundial.
Qual a importância do IFRS?
A criação do IFRS e a adoção das normas impostas ali foram fundamentais e de extrema importância para que fosse estabelecido um arcabouço contábil cujo a consistência e a transparência estivessem explícitos, por meio da elaboração de demonstrações financeiras – em diferentes países.
As normas mais antigas foram feitas pensando em proporcionar um conjunto de diretrizes contábeis que permitissem a comparabilidade e a clareza das informações financeiras, independentemente da localização das empresas.
A relevância fica evidente quando pensamos que, por conta das IAS, pessoas como investidores, reguladores e outras partes interessadas puderam analisar e comparar a performance financeira das empresas em uma base global.
Dessa forma, existe uma maneira de se proteger, reduzindo erros que antes poderiam surgir motivados pelas variações nas práticas contábeis nacionais.
Empresas brasileiras têm vantagem competitiva
Com a chegada do IFRS ao Brasil, o país passou a integrar o cenário contábil internacional de forma mais consistente, alinhando-se aos padrões globais e fortalecendo sua atuação no mercado de capitais. Essa implementação representou uma estratégia importante para aumentar a comparabilidade e a credibilidade das informações financeiras brasileiras, especialmente no contexto latino-americano.
O movimento foi fundamental para o Brasil, pois assim podemos alcançar um nível elevado de padronização contábil – o que nem todos conseguiram –, proporcionando uma linguagem financeira comum facilitadora da compreensão e a comparabilidade das informações financeiras em uma escala global.
As maiores vantagens ganhas pelo país foram:
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- Alinhamento aos padrões globais;
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- Destaque como referência regional na integração das práticas contábeis.
As empresas brasileiras ganharam com isso, sendo posicionadas como participantes proeminentes no mercado global e oferecendo uma vantagem competitiva significativa, segundo a CFC.
O padrão internacional de relatórios contábeis garante que as empresas brasileiras possam ser comparadas diretamente com suas contrapartes internacionais, em países como Espanha e Portugal, conforme explica o conselheiro do CFC.
O fato só demonstrou a capacidade do Brasil de se adaptar às melhores práticas internacionais, segundo Cruz. Além disso, também reforçou a posição como um mercado financeiro robusto e confiável no cenário global.
“Isso faz com que, principalmente, o contador brasileiro seja um contador global, em termos de padrões que ele adota com normas para seguir.”
IFRS e o impacto para os contadores
Não é segredo que, até antes mesmo da implementação do IFRS, o tamanho da responsabilidade que os profissionais de contabilidade carregavam já era grande. E a profissão que já possuía um caráter bastante desafiador, exige ainda mais profissionais.
Nesse sentido, Cruz detalhou um pouco mais sobre o mercado privado, explicando que, ao considerar investimentos, é preciso analisar os dados da contabilidade pública para decidir se investe ou não no país.
“A capacidade de pagamento e de endividamento, bem como o reconhecimento das receitas e dos passivos, devem ser minuciosamente analisados. Esse processo contribui para uma maior transparência. Embora os padrões de contabilidade já tenham sido implementados tanto no setor privado quanto no público, no Brasil ainda não estão totalmente consolidados. A Secretaria do Tesouro Nacional continua a exigir um alinhamento progressivo dessas práticas”.
As mudanças nas normas brasileiras e a ótica dos contadores
Com o objetivo de garantir a adequação e a conformidade de profissionais e entidades com as práticas contábeis estabelecidas no Brasil, foram publicadas no começo deste ano novas normativas no Diário Oficial da União (DOU).
As normas foram estabelecidas após um processo demorado no plenário e até aprovadas, passaram por longos debates e estudos intensos sobre os temas. O objetivo principal era o de assegurar que todos os envolvidos no campo da contabilidade estivessem alinhados com os padrões e diretrizes estabelecidos, promovendo assim a transparência, a integridade e a eficiência na gestão contábil.
As revisões ocorreram nas NBCS: 18, 19, 22 e 23. Confira mais detalhes sobre cada uma delas:
NBC 18 – Demonstrações contábeis
Na NBC 18, as atualizações visam a permissão de incluir novos critérios para a revisão das demonstrações contábeis, detalhando mais sobre o processo e os procedimentos de revisão. De acordo com o detalhamento da norma pelo CFC, pode ser que novos métodos e técnicas sejam aplicados nesta revisão, exigindo uma adaptação das práticas atuais dos contadores.
Nesse sentido, é válido destacar que os contadores terão de refinar os seus padrões de revisão, para atender às novas diretrizes – o que pode envolver uma rotina de treinamento adicional ou a atualização de sistemas e práticas de revisão.
Além disso, os profissionais de finanças terão de lidar com um maior tempo de trabalho, considerando que a régua de complexidade ficou mais alta. Veja a descrição da CFC abaixo:
Revisão NBC 18 – com alterações decorrentes da revogação da NBC TG 08; e equivalente à Revisão do Pronunciamento Técnico n.º 22, aprovada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC).
Entre as mudanças nesta normativa, está a NBC TG 15 (R4), que fala sobre a combinação de negócios e foi revisada para incluir explicitamente os custos diretamente relacionados à aquisição. A NBC TG 27 (R4), que trata de ativo imobilizado e esclarece que o custo de um item de ativo imobilizado é equivalente ao preço à vista na data do reconhecimento.
A revisão traz modificações na NBC TG 20 (R2) que versa sobre os custos de empréstimos e inclui encargos financeiros calculados com base no método da taxa efetiva de juros, conforme descrito na NBC TG 48, sobre instrumentos financeiros. Outra modificação foi a da NBC TG 41 (R2), que apresenta o resultado por ação.
NBC 19 – Auditoria
Aqui, as mudanças acontecem no que tange os procedimentos de auditoria. Com isso, novas exigências de documentação e análise de riscos podem ocorrer, assim como maior preocupação na avaliação e verificação dos controles internos das entidades auditadas.
Assim como mencionado antes, os contadores e auditores precisam se atualizar. Com isso, é preciso que os métodos e práticas para alinhar com as novas normas e, se necessário for, aprender a desenvolver novas habilidades. Veja como a CFC detalhou a NBC 19:
Revisão NBC 19 – modifica a NBC TG 26 (R5) – que trata da apresentação das demonstrações contábeis e introduz alterações nos critérios de classificação de ativos e passivos circulantes e não circulantes, especialmente relacionados ao ciclo operacional normal, passivos financeiros, e direitos de diferir a liquidação por pelo menos 12 meses.
A Revisão inclui os itens 76ZA, 76A e 76B. Outra norma impactada é a NBC TG CPC 06 (R3), que contempla o arrendamento e inclui os itens 102A, C1D, C20E, e alterações no item C2.
NBC 22 – Contabilidade para entidades sem fins lucrativos
Aqui, as entidades sem fins lucrativos deverão ser mais criteriosas, trazendo uma abordagem o mais detalhada e clara quanto possível. Com base em sua descrição, é possível que haja alterações na forma como as transações e eventos são classificados e avaliados.
Sob a ótica dos contadores que trabalham com entidades sem fins lucrativos, talvez eles precisem ajustar o formato de seus relatórios financeiros, para que assim, cumpram com as novas normas. Veja a descrição da CFC:
Revisão NBC 22 – correspondente à Revisão do Pronunciamento Técnico n.º 24, as mudanças incluem novos itens e exemplos na NBC TG 32 (R4) – tributos sobre o lucro e também alterações na NBC TG 03 (R3) – demonstrações do fluxo de caixa e na NBC TG 40 (R3) – instrumentos financeiros: evidenciação.
No que diz respeito à NBC TG 32 (R4), são introduzidos os itens 4A, 88A a 88D e 98M, com destaque à aplicação específica desta norma a tributos sobre o lucro relacionados à legislação do Pilar Dois, definida pelas regras modelo da OCDE.
Quanto à NBC TG 03 (R3), são adicionados os itens 44F a 44H, relacionados aos acordos de financiamento de fornecedores. Na NBC TG 40 (R3), o item 44JJ é adicionado, alterando o item B11F do Apêndice B. Essa alteração relaciona-se às divulgações quantitativas do risco de liquidez.
NBC 23 – Pequenas e médias empresas
Na NBC 23, houve uma revisão no que diz respeito às diretrizes para pequenas e médias empresas (PME). O objetivo é simplificar e detalhar aspectos da área da contabilidade para as entidades.
Para os profissionais contábeis, os critérios usados para avaliar e mensurar ativos, passivos e receitas podem mudar. Assim como no caso acima, a nova norma pode afetar a forma como os relatórios financeiros são preparados e apresentados para as pequenas e médias empresas. Veja a descrição do CFC:
Revisão NBC 23 – equivalente à Revisão do Pronunciamento Técnico n.º 25, em que as alterações afetam a NBC TG 1000 (R1) – que tange sobre a contabilidade para pequenas e médias empresas. Foram adicionados os itens 29.3A, 29.42 e 29.43 na NBC TG 1000 (R1) e modificados os itens 29.38 e letra D do item 35.10. Outras informações pertinentes à aplicação da exceção, às despesas de imposto corrente e à natureza dos efeitos financeiros dos tributos correntes e diferidos devem ser divulgadas posteriormente.
A revisão também trata da necessidade de divulgação da aplicação da exceção para ativos e passivos fiscais diferidos relacionados à legislação do Pilar Dois, além de temas relacionados a isenções para elaboração de demonstrações contábeis.
O CFC destaca a importância dessas modificações para a adequação e conformidade dos profissionais e entidades com as práticas contábeis em território nacional. Para ver na íntegra, visite.
Inteligência artificial aliada a contabilidade
Na 14ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente do Ibracon, realizada em São Paulo, a vice-presidente Técnica do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), contadora Ana Tércia, participou ativamente do painel.
No maior evento para o cenário contábil nacional, sob o tema “Atualidades das Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS)”, Tércia trouxe um tema que se faz cada vez mais presente não só nas finanças: a inteligência artificial (IA).
Enriquecendo o debate sobre o futuro da contabilidade, Tércia destacou qual o impacto da inteligência artificial, revelando que o CFC planeja a implantação de IA para otimizar a busca e o acesso às informações dentro do vasto arcabouço normativo.
“Nós temos um planejamento de implantação da inteligência artificial para facilitar as buscas no sistema do CFC, para facilitar, inclusive, o acesso à informação dentro desse arcabouço normativo, que é extremamente extenso”, afirmou Ana Tércia.
O painel também contou com a presença de Tadeu Cendón, membro do International Accounting Standards Board (Iasb), que apresentou cinco projetos em andamento. Entre eles, estavam os temas:
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- Combinação de Negócios;
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- Goodwill e Impairment;
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- Mudanças trazidas pela IFRS 18.
O evento é considerado o maior e mais importante voltado à contabilidade e auditoria no Brasil, serve como um ponto de encontro essencial para a discussão de tendências e desafios futuros na área. Para conferir como foi a palestra de abertura na íntegra, além de outros detalhes da conferência, acesse aqui.
É possível notar que a adoção das normas IFRS no Brasil trouxe grandes impactos para a contabilidade. Criou-se um padrão global que promoveu a transparência das informações financeiras, demasiado importante para o mercado.
Sob a perspectiva dos contadores, o trabalho árduo se tornou ainda mais difícil, que faz jus a frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.
Podemos compreender o quão importante é para os profissionais deste setor dominar as normas. Isso porque elas permitem que os profissionais tenham informações precisas e consistentes, facilitando a tomada de decisões para investidores e gestores em um cenário globalizado, sem contar o fato de que o Brasil se destaca a título mundial.
Na ponta de desafios, os contadores terão de sempre estar se atualizando com os conceitos e práticas, para que assim, estabeleça-se um entendimento aprofundado das diretrizes, assim como a capacidade de aplicar esses padrões de maneira eficaz para garantir o que é imprescindível: transparência e comprometimento.
Por fim, vale destacar que a crescente popularidade da inteligência artificial também promete mexer com a contabilidade, trazendo algumas mudanças. A IA pode poupar os contadores do trabalho de exercer tarefas repetitivas, assim como pode melhorar a precisão das análises e otimizar o acesso às informações normativas.
Para os contadores, isso pode ser um alívio sobre o peso que essas tarefas impõem, pois não as tê-las, significa tempo disponível para desenvolver novas competências tecnológicas e de adaptar suas habilidades às novas ferramentas e sistemas.
No panorama geral, os contadores têm um papel imprescindível tanto sob as normas IFRS quanto sobre os rumores de mudanças que a IA chega trazendo. No mais, é importante que os profissionais acompanhem as mudanças e invistam no desenvolvimento contínuo.
Assim, os contadores não apenas atendem às exigências atuais, mas também se posicionam como líderes e não ficam para trás em um mercado altamente exigente.