Holding familiar e inventário judicial: por que tantos profissionais estão migrando para a área de sucessões?

O mercado de consultoria contábil e jurídica está em constante transformação e se antes o foco estava na conformidade e na resolução de problemas após o fato gerador, hoje a palavra de ordem é antecipação. Para o profissional contábil, a migração para a área de sucessões não é apenas uma tendência de mercado: é uma resposta estratégica a uma mudança profunda no comportamento das famílias empresárias brasileiras. Portanto, neste artigo vamos examinar o mercado de sucessões para contadores e demandas em alta (como holding familiar e inventário judicial), com a colaboração de Fabio Pereira da Silva, professor da FIPECAFI e Mestre e Doutor em Contabilidade e Atuária.

Organização patrimonial: do tabu ao planejamento

Historicamente, falar sobre sucessão era um tabu que impedia a organização patrimonial. O resultado, quase invariavelmente, era a judicialização, como bem observa o especialista:

“Até um passado não muito distante, não era habitual o brasileiro se preocupar com o planejamento da sua sucessão, seja na condução dos negócios empresariais, seja nas questões relacionadas ao patrimônio familiar. Na prática, a sucessão ocorria de forma atabalhoada no momento do falecimento do gestor dos negócios e, muitas vezes, tinha como consequência conflitos familiares e prejuízos de elevada monta”, contextualiza Fabio, que prossegue descrevendo uma mudança de cenário: o empresário moderno compreende que a continuidade do seu legado depende de uma estrutura técnica sólida.

“O crescente interesse de profissionais do Direito e da Contabilidade pela área de planejamento patrimonial e sucessório revela que, para além dos impactos que as reformas do sistema tributário brasileiro certamente terão, há uma paulatina mudança cultural das famílias brasileiras, que, a cada dia, vêm reconhecendo a relevância de planejar a sucessão societária e patrimonial.”

Inventário judicial e seus desafios

O inventário judicial é um processo constantemente associado à lentidão e altos custos financeiros. Além disso, Fábio aponta: “É frequentemente desgastante sob o ponto de vista emocional e relacional, especialmente em contextos familiares mais complexos. Observa-se que, aos poucos, as famílias brasileiras passaram a perceber a importância do planejamento prévio, especialmente em um ambiente jurídico complexo e de elevada carga tributária, como o brasileiro.”

Diante deste cenário, a Holding Familiar se fortalece como uma ferramenta de “substituição”.

Holding Familiar como ferramenta estratégica

Enquanto o inventário possui uma dinâmica mais reativa, a Holding se diferencia nas características: “a Holding familiar passou a ser vista como uma alternativa estratégica, capaz de organizar o patrimônio ainda em vida, com maior previsibilidade, eficiência tributária e adoção de mecanismos de governança voltados à continuidade dos negócios da família. Ao estruturar previamente a sucessão, evita-se não apenas a judicialização, mas também potenciais conflitos entre herdeiros, a descontinuidade das atividades empresariais, a redução da carga tributária incidente sobre a transmissão de bens e a perda de valor econômico dos ativos”, diz Pereira.

Ao dominar essa estrutura, o profissional contábil auxilia o cliente a evitar a descontinuidade das atividades empresariais e a perda de valor econômico dos ativos. “Ao estruturar previamente a sucessão, evita-se não apenas a judicialização, mas também potenciais conflitos entre herdeiros”, completa Fabio.

Uma nova era para profissionais da área contábil

O Professor revela que: “Para o profissional do Direito e da Contabilidade, esse movimento representa uma mudança relevante de posicionamento e uma oportunidade de atender a uma crescente demanda do mercado. A atuação deixa de ser reativa e passa a assumir um caráter consultivo e estratégico, exigindo visão integrada entre aspectos sucessórios, societários, tributários e contábeis, além de sensibilidade para compreender as dinâmicas familiares e os interesses de longo prazo.”

 Ele ainda reforça que o ambiente legislativo está em constante transformação, especialmente na seara tributária, o que reforça a necessidade de planejamento. Portanto, a busca por especialização se faz necessária devido a:

  • Complexidade legislativa: mudanças no sistema tributário brasileiro exigem uma atualização constante que poucos profissionais possuem.

 

  • Valorização profissional: atuar em planejamento patrimonial consolida-se como uma das áreas mais sofisticadas da prática contemporânea.

 

  • Honorários diferenciados: Como destaca Fabio, o preparo para atuar nesse mercado “tende a ser recompensado por honorários mais compatíveis com a complexidade da atuação.”

 

“Nesse contexto, o planejamento patrimonial consolida-se como uma das áreas mais sofisticadas e demandadas da prática profissional contemporânea. Para atuar nesse mercado, o profissional do Direito e da Contabilidade deve reunir conhecimentos abrangentes, o que exige dedicação e preparo, mas que tende a ser recompensado por honorários mais compatíveis com a complexidade da atuação”, reforça o especialista.

A área de sucessões é altamente promissora para contadores, mas exige conhecimentos abrangentes e sensibilidade para lidar com as dinâmicas familiares.

Aqueles que se dedicarem ao preparo técnico estarão na vanguarda de uma das maiores oportunidades de carreira da década.

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