
Como companhias de pequeno e médio porte devem fazer a gestão financeira empresarial?
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ToggleA gestão financeira empresarial é um pilar fundamental para o sucesso. No caso de empresas pequenas e médias, ainda mais: uma gestão eficiente pode ser a diferença entre o crescimento e o declínio.
A gestão financeira empresarial engloba o planejamento, a organização, a direção e o controle das atividades financeiras de uma empresa. Considerando que companhias pequenas e médias muitas vezes não contam com grandes departamentos financeiros e de recursos humanos, a implementação de práticas sólidas de gestão é necessária.
Planejamento financeiro, o primeiro passo da gestão empresarial
O planejamento financeiro é o ponto de partida para uma gestão eficaz. Envolve definir metas financeiras claras e realistas, tanto de curto quanto de longo prazo.
As metas são variadas e podem incluir pontos como o aumento de receita, melhoria da lucratividade, redução de custos, expansão para novos mercados ou investimentos em ativos.
Para atingir essas metas, o planejamento costuma seguir etapas padronizadas, como a elaboração de orçamentos, que é o primeiro passo para visualizar as possíveis despesas e lucro da empresa. Esses orçamentos podem ter diferentes períodos (mensal, trimestral, semestral, anual…) e devem ser revisados com frequência para, caso seja necessário, passar por ajustes de acordo com mudanças de cenários.
Em seguida, é feita a projeção de fluxo de caixa, vital para garantir que a empresa tenha liquidez suficiente para cobrir suas obrigações financeiras. Esse processo inclui projetar as entradas e saídas de caixa futuras, identificando possíveis déficits e tomando medidas preventivas, como a negociação de prazos com fornecedores ou a busca por linhas de crédito.
É importante, por fim, que as companhias considerem diferentes cenários econômicos e de mercado em seu planejamento financeiro. Análises de cenários (otimista, pessimista e mais provável) ajudam a empresa a se preparar para diferentes eventualidades e a tomar decisões mais robustas.
Organização para uma gestão financeira eficiente
Uma organização financeira clara e bem estruturada é fundamental para a eficiência da gestão. Isso implica em uma separação clara das finanças pessoais e empresariais, definição de processos financeiros e implementação de um sistema de contabilidade.
Enquanto estabelecer processos como o pagamento e recebimento de compras, controle de estoque e emissão de notas fiscais ajuda a evitar erros, fraudes e atrasos, implementar um sistema de contabilidade permite o registro de todas as transações financeiras de maneira precisa.
Isso facilita a geração de relatórios financeiros transparentes e a conformidade com as obrigações fiscais.
Direção e execução das estratégias
Para esta etapa da gestão financeira empresarial, é necessário o monitoramento constante do desempenho da organização.
Acompanhe de perto os indicadores financeiros, como receita, custos, lucro bruto, lucro líquido, margens e fluxo de caixa. Esta é uma prática essencial para identificar tendências, desvios e oportunidades de melhoria.
Além disso, empresas devem analisar seus custos detalhadamente, segmentando quais são fixos e variáveis, diretos e indiretos. Essa análise permite identificar oportunidades de otimização de recursos e rentabilidade.
Ter controle sobre o capital de giro e cultivar relações com instituições financeiras também são pontos importantes. Neste último caso, bancos ou entidades de finanças podem auxiliar com financiamentos externos para o crescimento ou manutenção do negócio.
Já o mercado de crédito, como um todo, é influenciado por variados fatores: o cenário econômico, a margem de lucro e políticas monetárias são exemplos. Outros aspectos que causam impacto são o nível de inadimplência e a taxa selic, que é a taxa básica de juros da economia.
Controle financeiro minucioso
Esta etapa consiste em garantir que as atividades financeiras estejam alinhadas com o planejamento e que os recursos da empresa sejam utilizados de forma eficiente e transparente. Inclui a elaboração e análise de relatórios financeiros, que devem ser feitos e analisados periodicamente e a implementação de auditorias internas.
Uma auditoria interna pode ajudar a identificar falhas nos controles e a garantir a integridade das informações financeiras. Mesmo em empresas menores, a revisão esporádica dos processos financeiros por um profissional externo é benéfica. Outras ferramentas vantajosas são os softwares de gestão financeira.
Existem ferramentas para as mais variadas tarefas da gestão financeira: controle de fluxo de caixa, emissão de boletos, gestão de contas a pagar e a receber, e geração de relatórios… a escolha deve ser adequada às necessidades da empresa.
A avaliação dos custos é imprescindível, mas calcular a rentabilidade e lucratividade é igualmente necessário. Assim, é possível identificar áreas de melhoria e tomar decisões estratégicas sobre quais negócios manter, expandir ou descontinuar.
Além disso, a tendência é que o país passe por um momento de desaceleração no cenário econômico, reduzindo também o ritmo de crescimento do mercado. Esses motivos, somados à alta inflação, justificam a perspectiva mais conservadora de instituições financeiras.
O levantamento da Febraban também indica que a maioria dos entrevistados (84,2%) espera que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, eleve a taxa Selic para acima de 14,25% anuais no atual cenário.
De forma geral: a maioria dos especialistas (57,9%) acredita que a inflação este ano será maior que a meta do governo. O resultado deste fenômeno é o recente fortalecimento da economia e aquecimento do mercado de trabalho, mas com o real desvalorizado, que eleva o preço de diversos produtos e serviços.
O governo está trabalhando em um plano de corte de gastos, mas 66,7% dos especialistas acreditam que a economia gerada será menor que o esperado. Concluímos, então, que há expectativas de crescimento moderado e expansão do crédito, mas com um olhar cauteloso com preocupações sobre a inflação e o ajuste fiscal.
Desafios de pequenas e médias empresas e como superá-los
A falta de recursos financeiros e de pessoal qualificado pode dificultar a implementação de práticas sofisticadas de gestão financeira, além da dificuldade que muitas empresas de pequeno e médio porte encontram para obter créditos por conta do histórico financeiro e porte da companhia.
Além disso, muitas empresas do gênero operam com um alto grau de informalidade, o que deve ser evitado ao máximo, visto que dificulta o controle financeiro e o acesso a financiamentos.
A falta de planejamento estratégico e a “mistura” de finanças pessoais e empresariais são duas inimigas do progresso de organizações de pequeno e médio porte. Por mais que as práticas sejam comuns, são nocivas para o funcionamento de um negócio.
Para superar esses desafios, é recomendado buscar capacitação e consultoria, investindo em treinamento em áreas de gestão financeira. Buscar consultoria de profissionais especializados também é uma forma de trazer conhecimento e expertise para a empresa e seus colaboradores.
Adotar ferramentas de gestão, focar no planejamento de curto prazo e no fluxo de caixa são medidas que simplificam o dia a dia e aprimoram processos
Por fim, formalizar a gestão financeira com a implementação de processos claros e a construção de um bom relacionamento com bancos e instituições financeiras são práticas nas quais sua organização só tem a ganhar.
A gestão financeira empresarial é um processo contínuo e dinâmico que exige atenção, disciplina e conhecimento, especialmente para negócios em ascensão. Se sua empresa é de pequeno ou médio porte, a gestão não é apenas uma questão de sobreviver, mas sim de criar as bases para um crescimento sustentável e para o alcance de seus objetivos de longo prazo.