
Reforma tributária: sua empresa está preparada para aderir ao novo sistema?
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ToggleUm estudo feito pela Thomson Reuters indica que, às vésperas da fase de testes da reforma tributária, apenas 35% das empresas avançaram na adaptação ao novo sistema. Do outro lado, 63% das companhias encontram-se na fase de planejamento ou em processos iniciais.
Neste artigo, vamos desvendar os motivos por trás deste cenário, contando com a análise de Andressa Gomes, profa. especialista e Coordenadora do MBA em Gestão Tributária da FIPECAFI.
Desafios das empresas ao aderir ao novo sistema da reforma tributária
As porcentagens aparentam ser alarmantes, mas segundo Andressa, acontecimentos diversos podem justificar o cenário desafiador: “Neste momento, entendo que existam alguns fatores que influenciam a passividade de um número tão expressivo de empresas. Justamente, no ano que vem, teremos um ano movimentado de eleição, copa do mundo e previsões não muito otimistas dos economistas”, explica a especialista, que prossegue:
“Parece-me que a preocupação com o futuro cenário econômico tem ‘tirado mais o sono’ dos empresários. Além disso, por se tratar de um ano teste, há ainda uma subestimação do novo regime, que é indevido, pois é totalmente contrário a uma boa política de compliance. Por fim, destaco o motivo cultural do brasileiro em postergar o máximo que puder, uma mudança de comportamento ou qualquer ato preventivo.“
Vantagens de aderir o sistema antecipadamente – e desafios ao atrasar
O timing de adaptação das companhias reflete-se em variados campos. Aderir ao sistema tardiamente pode gerar riscos financeiros e operacionais, como explica a Coordenadora:
“Um dos maiores riscos é a perda de competitividade, se a formação de preços e custos não for reavaliada e, a depender do cenário, renegociada com fornecedores. Para os contratos de médio ou longo prazo, assinados na data de hoje, as cláusulas que impactem o preço ou custo operacional, devem ter uma revisão imediata pelo corpo jurídico seja interno, seja externo.”
Especialistas ainda afirmam que a reforma tributária é uma oportunidade para redesenhar e otimizar processos empresariais da cadeia de valor. Portanto, adiantar-se neste processo, por sua vez, proporciona vantagens competitivas ou ganhos de eficiência práticos.
Gomes aponta a maior possibilidade de controle e organização em um cenário econômico imprevisível como um dos fatores de destaque. “Isso gera maior flexibilidade em eventuais alterações que necessitem ser feitas a partir do ano que vem, para fins de adaptação e conformidade. Além disso, aumento de visibilidade nacional e internacional pelas práticas de compliance.”
Para empresas que não estão em estágio avançado nesta mudança, Andressa recomenda: “Minimamente, um rastreamento de toda operação com fornecedores e revisão dos contratos já vigentes e os que serão formalizados.”
Perspectivas de longo prazo sobre a reforma tributária
As mudanças provenientes acontecerão tanto a curto quanto médio e longo prazo, visto que a reforma será implementada por fases, até o ano de 2033. A adaptação, robusta e complexa, tende a ser desafiadora, mas há a promessa de simplificação, destrave de investimentos e competitividade.
Segundo a especialista: “As mudanças advindas com a reforma tributária já estão estabelecidas. Cabe às empresas e gestores se atualizarem e adaptarem todas as mudanças em suas operações. Feito isso, a tendência ou, ao menos se espera, um aumento de investimento e competitividade, dada a simplificação e transparência do novo sistema tributário.”