
Taxa de juros: por que bancos preveem uma desaceleração do mercado de crédito?
Conteúdo da página
ToggleO mercado prevê que a taxa básica da economia, conhecida como Selic, siga em elevação ao longo do ano. Com isso, há expectativas de desaceleração no mercado de crédito. De acordo com a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), espera-se um crescimento de 9% do mercado de crédito, em vez da expectativa anterior de 9,3%.
Também se prevê desaceleração do crescimento da carteira de empréstimos no setor financeiro. A taxa Selic, segundo estimativas de bancos, deve chegar a 15% ao ano até meados de 2025. Mas afinal, quais são as razões por trás desses acontecimentos? Confira a seguir:
O que é o mercado de crédito?
É um sistema que engloba um leque de operações e concessões de crédito, possibilitando recursos financeiros para governos, pessoas físicas e empresas. A dinâmica do mercado de crédito é composta por dois participantes: credores e devedores.
Ou seja: o mercado possibilita que entidades concedam recursos financeiros a outras, em uma dinâmica de empréstimo. As instituições que forneceram o valor (credoras), receberão de seus devedores com o acréscimo de juros ou outros custos determinados.
Operações nesse mercado podem variar em grau de complexidade e porte; indo desde empréstimos pessoais até grandes movimentações, como títulos de dívida de governos.
O que é taxa de juros?
A taxa de juros é a remuneração paga por um empréstimo. Logo, ela representa o percentual calculado sobre o valor de um empréstimo, sendo primordial para o funcionamento do mercado de crédito.
Spread no mercado de crédito e influências na taxa de juros
A diferença entre a taxa de juros que os credores cobram pelos empréstimos que oferecem e a taxa que pagam para captar recursos em conjunto aos seus próprios financiadores é conhecida como “spread”. Para determinar o spread, diversos fatores são considerados, como: margem de lucro, custos operacionais e de captação e risco de crédito.
Já o mercado de crédito, como um todo, é influenciado por variados fatores: o cenário econômico, a margem de lucro e políticas monetárias são exemplos. Outros aspectos que causam impacto são o nível de inadimplência e a taxa selic, que é a taxa básica de juros da economia.
Por que bancos reduzem estimativas do mercado de crédito?
Como dito no começo do texto, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), previu 9% do mercado de crédito, uma redução de 0,3% em comparação à estimativa anterior. Mas quais são as causas por trás? Primeiramente, é esperada uma elevação da Selic em 2025 e essa taxa impacta diretamente o mercado.
Além disso, a tendência é que o país passe por um momento de desaceleração no cenário econômico, reduzindo também o ritmo de crescimento do mercado. Esses motivos, somados à alta inflação, justificam a perspectiva mais conservadora de instituições financeiras.
O levantamento da Febraban também indica que a maioria dos entrevistados (84,2%) espera que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, eleve a taxa Selic para acima de 14,25% anuais no atual cenário.
De forma geral: a maioria dos especialistas (57,9%) acredita que a inflação este ano será maior que a meta do governo. O resultado deste fenômeno é o recente fortalecimento da economia e aquecimento do mercado de trabalho, mas com o real desvalorizado, que eleva o preço de diversos produtos e serviços.
O governo está trabalhando em um plano de corte de gastos, mas 66,7% dos especialistas acreditam que a economia gerada será menor que o esperado. Concluímos, então, que há expectativas de crescimento moderado e expansão do crédito, mas com um olhar cauteloso com preocupações sobre a inflação e o ajuste fiscal.