
BRICS: o que é e como funciona o bloco econômico
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ToggleO BRICS é um bloco econômico, inicialmente formado por cinco países emergentes. A inicial de cada país corresponde a uma das letras que compõem o nome do bloco: B de Brasil, R de Rússia, I de Índia, C de China e S de África do Sul (em inglês, South Africa). Apesar de ser amplamente comentado na grande mídia, ainda há muitas dúvidas sobre o BRICS: o que é exatamente e como ele funciona, afinal?
Por isso, este artigo define mais precisamente as particularidades dessa iniciativa internacional:
BRICS: o que é?
Como já mencionado anteriormente, o BRICS é um agrupamento econômico e político formado por cinco países (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O termo BRIC surgiu em 2001 com o economista Jim O’Neill, do banco Goldman Sachs, para se referir às quatro maiores economias emergentes que, na época, apresentavam crescimento acelerado. Em 2006, os líderes desses países realizaram seu primeiro encontro oficial durante a Assembleia Geral da ONU, marcando o início da cooperação formal.
Assim, a iniciativa foi criada em 2006, como BRIC. O “S” de South Africa (África do Sul) foi acrescentado posteriormente, pois a inclusão desse país ocorreu em 2010.
O objetivo é unir países emergentes para promover a cooperação econômica, política e tecnológica entre seus membros. O bloco representa cerca de 45% da população mundial, 29% do PIB global e mais de 40% da produção total de petróleo no mundo.
Como funciona o BRICS e seus objetivos
O BRICS não é uma organização formal com tratados rígidos, mas sim um fórum de cooperação flexível. Por isso, seu funcionamento baseia-se em mecanismos como reuniões e acordos financeiros. Veja mais detalhadamente sobre nos tópicos a seguir:
- Cúpulas anuais reúnem os países para a discussão de estratégias. Não existe um líder fixo: a cada ano, um país assume a presidência do bloco, sendo esta nação responsável pela definição de prioridades e seus respectivos eventos;
- Mecanismos financeiros, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e o Arranjo Contingente de Reservas (ACR) visam contribuir com o desenvolvimento de projetos. O primeiro, financia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países membros e em outras nações emergentes, enquanto o segundo ajuda países do bloco em crises financeiras, reduzindo a dependência do FMI;
- A cooperação é um dos principais fundamentos. Logo, o BRICS possui grupos de trabalho em áreas como comércio, ciência, tecnologia, saúde, energia e segurança cibernética;
- Países membros do BRICS também sabem aproveitar fóruns globais para alinhar suas posições em organizações. A participação no G20, ONU e OMC (Organização Mundial do Comércio) são exemplos.
Essas práticas vão de encontro com objetivos como o fortalecimento da cooperação econômica entre países e alinhamento para questões como desenvolvimento sustentável, diálogos políticos e preparação para mudanças climáticas. Outra meta de destaque é a reforma das instituições financeiras globais, com a criação de mecanismos financeiros alternativos para diminuir a dependência do FMI e Banco Mundial.
Desafios e polêmicas
Apesar de seu potencial, o BRICS enfrenta desafios, como diferenças políticas e econômicas (enquanto alguns membros são democracias, outros têm sistemas considerados autoritários), eventuais conflitos e tensões políticas entre os próprios membros, o que pode dificultar a união e a dependência chinesa, visto que a nação tem a maior economia do grupo.
Expansão e o futuro do BRICS
Desde 2023, o BRICS está em processo de expansão. O bloco, que contava com cinco países na década de 2010, contou com cerca de 20 países representados em sua cúpula realizada em outubro de 2024. De acordo com o governo russo, 34 países manifestaram interesse em aderir ao Brics e 23 chegaram a oficializar seus pedidos.
A grande adesão gera questionamentos em relação a eficiência do grupo, visto que inclui países com questões geopolíticas complexas “Seremos cuidadosos, guiados por dois princípios: multilateralismo e eficiência da operação da organização”, afirmou Vladimir Putin, líder russo, em entrevista para a CNN.
O BRICS planeja consolidar-se como um contrapeso ao G7, grupo das maiores economias de países do Norte Global. Planos como o fortalecimento de suas iniciativas financeiras, maior integração tecnológica e ampliação de moedas locais em comércio bilateral são exemplos de metas que chamam atenção mundial.
A cooperação econômica, política e tecnológica entre seus membros desafia a hegemonia das potências ocidentais em instituições financeiras como o FMI e o Banco Mundial, dando mais voz a países emergentes.
Suas grandes diferenças internas geram dúvidas, assim como o forte protagonismo da China e Rússia perante os outros membros. No entanto, seu rápido e expressivo crescimento econômico e influência geopolítica tornam o BRICS um ator relevante no século XXI, captando mais atenção ano após ano.
Caso consiga superar seus desafios, o bloco pode se tornar um polo de poder alternativo, redefinindo as relações internacionais.